Em todos seus 75 anos de história a Mulher-Maravilha esteve presente nos quadrinhos como o maior ícone feminino, com um forte senso se justiça e um pouco de inocência ela lutou para mostrar que uma mulher poderia fazer o que qualquer outro homem faz, e agora ela surge nos dias de hoje para nos lembrar disso novamente em sua primeira aparição cinematográfica solo.

Criada pelo Dr. William Moulton Marston em dezembro de 1941, a personagem teve sua estreia na All Star Comics #8, um tempo onde havia a falta de um ícone que abraçasse amor e paz ao invés da guerra, e o mais importante, um ícone feminino.

Patty Jenkins nos leva ao passado e pela primeira vez temos a origem da personagem em um longa, contada por uma história simples, porém bem situada e que intercala muito bem entre o coração do filme e suas cenas de ação empolgantes. Somos introduzidos a uma pequena princesa Diana, filha de Hipólita a Rainha das Amazonas, um povo guerreiro constituído apenas por mulheres que vivem na Ilha paraíso de Themyscira, escondidas pelos deuses dos olhos destrutivos dos humanos.

Diana se mostra uma criança feroz e ardente, maravilhada pelos treinamentos de suas irmãs em combate, porém proibida por sua mãe de pratica-los. O roteiro de Allan Heinberg nos da um início conciso, bem construído e explicado, deixando explícito ao espectador quem são, de onde vem e qual o objetivo das Amazonas, mesmo que seja uma parte menor do filme.

A essência do filme se encontra exatamente onde deveria estar, na personagem principal, Gal Gadot nos traz uma interpretação perfeita da princesa guerreira, derrubando de vez todas as criticas feitas à sua escolha para o papel. Diana é inocente, amável e não aceita que pessoas morram sem qualquer ajuda daqueles que deveriam protegê-las.

A chegada de Steve Trevor traz consigo o fim da calmaria e Diana se vê obrigada a acompanha-lo para um mundo desconhecido. Chris Pine se encaixa muito bem em seu papel, sabendo conter-se no que lhe é devido, ele não é o centro das atenções, ele é um suporte para o crescimento e assim ele faz, deixando os holofotes em sua companheira e sempre estando lá para cobrir sua retaguarda, também proporcionando muitas das cenas divertidas do filme, característica do próprio ator.

Importante notar como o mundo dos homens é visto por Diana e como ela é vista por ele, ambientado na primeira guerra mundial, mulheres não tinham direito à opinião e suas roupas eram para adorná-las, a princesa chega para quebrar tudo isso, incrédula com os costumes ensinados e adotados em um mundo conservador, trazendo uma conscientização para um debate atual.

O elenco de apoio é forte, Trevor é um idealista e progressista, SameerCharlie e Chefe nos mostram que cada pessoa lida internamente com seus próprios demônios e são essenciais para o crescimento da consciência da princesa, que ao sair da ilha trazia seu ideal maniqueísta, acreditando que toda a maldade do mundo se concentrava apenas em Ares e que ao derrotá-lo tudo estaria salvo, porém ela aprende que os humanos são dualistas e suas escolhas os tornam o que são.

Falando nos vilões, Dra. Veneno é pouco construída, sendo mais uma arma na mão do General Ludendorff, que se mostra cruel, mas de pouca relevância no todo, pois tudo é orquestrado por Ares, o Deus da guerra que quer mostrar para Diana que os humanos não merecem proteção. Ares não cai no clichê do vilão que busca apenas vingança, trazendo um plot totalmente previsível, ainda que interessante, mas já conhecido para quem acompanha os quadrinhos, quais inspiram totalmente seu visual.

Mulher-Maravilha independe de seu vilão para crescimento próprio, ela faz isso durante diversos momentos do filme, ele está ali apenas para um embate físico que solucionaria o confronto e não para direcioná-la, por toda sua história nos quadrinhos Diana cresceu à medida que se relacionava com os humanos, ela é uma guerreira e seus vilões estão lá para serem detidos, um grande motivo pelo qual ela não possui uma extensa galeria de vilões como o Batman ou Superman, quando tem que lidar com inimigos, é de forma definitiva.

O filme é um raio de luz para esse universo que nos mostra constantemente o pior do ser humano, ele inspira que a bondade pode ser encontrada caso se acredite nela e a princesa de Themyscira reafirma seu lugar como o maior ícone feminino dos quadrinhos e cultura pop, trazendo o real ar de esperança em que os quadrinhos foram criados, eu acredito que pela primeira vez estamos vendo um verdadeiro filme de Super-herói.


NOTA FINAL: 9/10

 

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