_58417401_v2Remember, remember, the 5th November… O AliançaQ dessa semana apresenta um personagem que muitos conhecem apenas pelo filme, mas não sabem que sua origem se deu primeiramente na nona arte, conheça V de Vingança e abra sua mente.Criado em 1982 por Alan Moore e David Lloyd, com uma inspiração direta na política da Dama de Ferro Margaret Thatcher, V de Vingança foi uma série de quadrinhos que deixaram sua marca na história das Graphic Novels. O enredo se dá em uma Inglaterra de governo totalitário, que estabelece padrões e persegue os inadequados, aplica toques de recolher e suprime a liberdade de expressão do povo, e assim somos introduzidos a V, um herói incomum com um plano e um ideal inabaláveis.

460_0___30_0_0_0_0_0_v4vendettaidea2A Inglaterra aqui apresentada é uma maquina de repressão sob o lema “Inglaterra Triunfa!”, e assim que surge, V é automaticamente taxada como vândalo. No início da história o protagonista salva Evey de se prostituir, uma jovem que após isso aceita ir até seu esconderijo, um local que mais parece um museu de tudo que é proibido pelo governo totalitarista, como livros de filosofia, música, esculturas e relíquias de um mundo abandonado e é aqui que Moore mostra como uma sociedade que busca calar a liberdade individual perde naquilo em que é mais importante.

V deseja devolver o poder ao povo e expor seus líderes usando o que for necessário, para ele o fim justifica os meios. Sempre com o rosto coberto por uma máscara, a identidade do herói é um mistério, e mesmo que ao fim do quadrinho um pouco de sua origem seja revelada, muito fica no ar, traçando assim um paralelo que nos mostra que o importante é o ideal e não quem o põe em prática, afinal, um ideal é a prova de balas, como o próprio personagem exclama.

main-qimg-e26bc1f69d69a201e02d19bd092a568aCom a presença de campos de concentração e destruição de minorias na trama, não é difícil traçar uma linha entre o conto e a realidade, muito ali vem diretamente do governo totalitário da Alemanha durante o Nazismo. O quadrinho acaba sendo um tapa na cara para quem o lê, os ideais apresentados nos convencem e mostram como a população é acomodada, como o mundo está daquele jeito graças à permissividade do povo que nada faz, a não ser aceitar o que lhe é imposto.

v for vendetta 2Temas como liberdade e anarquia permeiam o roteiro, diálogos referenciam desde Shakespeare ao cinema clássico, passando por citações de acontecimentos históricos importantes. Quem conhece um pouco de história nota que a mascara utilizada por V é do rosto do soldado britânico Guy Fawkes, que participou da “conspiração da pólvora”, onde se pretendia assassinar o rei protestante Jaime I da Inglaterra e os membros do Parlamento inglês durante uma sessão em 1605.

O leitor pouco identificará em V uma personalidade realmente heroica, ele se mostra até mesmo cruel em determinados pontos, e assim acabamos nos colocando no lugar de Evey, que com o tempo se pergunta se o personagem é na verdade bom ou mal. Uma pergunta que pouco importa na trama, V quer apenas que o leitor se indague se a liberdade humana é de fato alcançável, ou apenas utópica?

vforvendetta2Logo ao fim da história é perceptível como V se sente em relação ao que acontece, ele sabe que não poderá consertar aquilo com apenas um ato, mas também sabe que é preciso que alguém o faça e aqui entra Evey, sua herdeira que lutará em seu lugar em um mundo diferente, pois V tem consciência que ele foi criado por aquele sistema corrupto e graças a isso ele não se vê como merecedor de viver no mundo que virá após sua revolução.

É interessante notar como a história de V de Vingança se mantém atual, governos opressores, corruptos e que em nada se preocupam com o povo estão aos montes e qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência, assim o protagonista ambíguo da trama se torna um representante mascarado para cada povo que sofre pelas mãos daqueles com poder.

0042-688x1024INCRÍVEL “DIÁLOGO” ENTRE V E A ESTÁTUA LADY JUSTIÇA.
V de Vingança não nos apresenta apenas uma história de revolução anárquica, mas também de reflexão interna, até onde o homem vai para adquirir mais poder? E quanto dele sobrará ao conseguir tudo que quer? A trama da graphic novel de Alan Moore é densa, forte e implacável, mas necessária nos dias de hoje. Abaixo ao sistema, poder ao povo, e lembre-se do 5 de Novembro.
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