Em 2005, a Remedy Entertainment espantou o público com seu retorno ao mundo dos jogos. Nada de Max Payne, nada de Death Rally, uma IP totalmente nova foi demonstrada como exclusiva do Xbox 360 e ganhou a atenção dos jogadores por suas inovações em termos de história e mecânica de jogo. Apesar do anúncio de 2005, somente cinco anos depois Alan Wake chegou as prateleiras e logo em seguida em 2012 para PC, abrangendo um público ainda maior. Será que os cinco longos anos de produção desse jogo realmente valeram a pena?

Alan é um escritor de best-sellers de suspense em meio a uma crise criativa e pessoal. Seguindo a sugestão de sua esposa Alice, eles resolvem embarcar em uma viagem a dois para Bright Falls, uma cidade calma em meio as montanhas. Alice acredita que saindo da correria de Nova York e estabelecendo um maior contato com a natureza, Alan conseguirá enfim resolver seu bloqueio criativo. Como se pode imaginar, Alice não foi muito feliz em sua escolha e acabou levando o marido e ela própria para um inferno sombrio e macabro.

Seu enredo, personagens, fotografia e trilha seguem uma estética similar a séries como “Twin Peaks” e “Twilight Zone”. Esta referência é também explorada em uma série chamada Night Springs, que pode ser assistida em TVs encontradas no próprio jogo. Além disso, Alan Wake é um jogo que utiliza recursos da literatura e da dramaturgia a seu favor e faz isso de forma competente. Ele é dividido em seis capítulos editados como se fossem episódios de uma série de TV, sendo que as páginas do livro que Alan está escrevendo são encontradas espalhadas pelos cenários ao longo do jogo.

Possuindo uma arte gráfica extremamente verossímil e animações muito bem feitas, o jogo se destaca como um dos mais belos do gênero. Os efeitos de iluminação são um dos pontos altos e frequentemente fazem o jogador parar para admirar os ambientes à sua volta. Assim como a parte gráfica a trilha sonora contribui para criar um clima de mistério e suspense que torna a experiência ainda mais imersiva.

As mecânicas de jogo à primeira vista parecem ser as mesmas de qualquer jogo do gênero, porém um novo elemento tático é adicionado à mistura. A lanterna que permite Alan de destruir a escuridão em torno de seus inimigos, deixando-os vulneráveis às armas de fogo. A luz é um elemento central aqui e frequentemente o jogador vai se ver suspirando de alívio ao encontrar um poste iluminado ou uma casa com luzes acesas, locais onde os inimigos não podem entrar.

A princípio a estratégia de mirar com a lanterna e posteriormente atirar parece ser simples, porém o fato das pilhas da lanterna serem escassas e os inimigos passarem a vir em grande quantidade, fazem com que o jogador pense bem em qual deles deve matar ou até mesmo se realmente deve gastar balas ali ou usar a lanterna para atordoar os oponentes até chegar a um local seguro. Apesar de não apresentarem grandes variações, as criaturas que povoam a noite garantem um bom desafio, seja na terra ou no ar, e podem ser mortais caso enfrentadas de maneira incorreta.

Iniciando com um mistério inexplicável e culminando em uma luta épica entre luz e escuridão, Alan Wake prende o jogador na frente da tela com uma história profunda e bem construída e ambientações extremamente imersivas. O resultado de cinco anos de espera é extremamente satisfatório e um dos únicos defeitos encontrado no jogo, se não o único, é sua curta duração de aproximadamente dez horas. Um jogo de terror e suspense que é obrigatório para os fãs do gênero e até mesmo para aqueles que querem apreciar uma boa narrativa.

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