Vikings é uma série criada por Michael Hirst, produzida e exibida pelo canal History desde 2013. Como sugere o título, ela tem como tema principal a trajetória da civilização Viking e como se deu a sua expansão no oeste europeu. A série é baseada em fatos verídicos, mas mescla também um pouco de ficção. Inclusive, a maioria dos personagens existiu de fato, ou pelo menos especula-se fortemente a existência de alguns, como é caso do protagonista Ragnar Lothbrock, interpretado pelo ator Travis Fimmel. Na série, Ragnar foi o viking que liderou as primeiras viagens para o oeste da Europa, descobrindo primeiramente territórios da Inglaterra, realizando saques e instaurando o terror. As viagens de Ragnar não cessam em solo inglês – ele vai cada vez mais para o oeste, descobrindo novas terras, povos e grandes riquezas.O compromisso da série com a verossimilhança é uma das características que a torna mais do que interessante – ela é rica em detalhes sob vários aspectos: o roteiro é bem elaborado, com uma trama cheia de reviravoltas, sem ser previsível; os personagens são muito bem construídos e o fato de serem complexos os torna especiais, ou seja, não são puramente bons ou maus, eles agem de acordo com os próprios interesses sendo heróis e vilões ao mesmo tempo e passam por situações que os transformam.Quanto aos aspectos artísticos, Vikings também não fica atrás: o figurino, a maquiagem e o cabelo dos personagens são impressionantes, bem como os cenários e locações que, em sua maioria, foram escolhidos no norte da Europa, Irlanda e Canadá, retratando a paisagem fria e mística típica das regiões habitadas pelos antigos escandinavos.

A trilha sonora composta por Trevor Morris é marcante e dá o tom para todos as cenas: as batalhas, a vida no campo, as navegações e os rituais religiosos. Mas, a partir da segunda temporada, a trilha conta com a participação do grupo Wardruna, que compõe músicas inspiradas nas canções tradicionais da cultura nórdica.O elenco também merece destaque, com atores desconhecidos, porém notáveis e talentosos como é o caso de Gustaf Skarsgård (Floki), Katheryn Winnick (Lagertha), Clive Standen (Rollo), Linus Roache (Rei Ecbert), entre muitos outros. A também evolução na aparência destes personagens ao longo da série merece destaque, visando mostrar o quanto mudaram durante os anos que se passaram na história.ragnar evoluçãobjorn evolutionMais do que a religião ou o misticismo em si, outro fator importante é o conflito cultural. Com o início das expedições às terras inglesas, torna-se evidente o espaço que a história dá às divergências de religiosidade das duas culturas. Enquanto os vikings demonstram completo desdém pelo cristianismo, os cristãos demonstram grande incapacidade de compreender os motivos de atos tão bárbaros e hostis. Mais do que isso, os ingleses se mostram incapazes de reagir à altura para evitar que sejam flagelados. E devo dizer que tal dicotomia se desenvolve muito bem ao longo da trama, principalmente quando Ragnar toma para si um dos monges cristãos como escravo.

Porém, com o passar do tempo, o monge vai imergindo cada vez mais na cultura viking e, mesmo que relutantemente, se interessando e compreendendo as motivações e costumes do povo nórdico.  Ragnar o trata de forma decente, apesar de ser um escravo, e os diálogos entre ambos são bastante interessantes, muitas vezes de cunho filosófico. Eles cativam o espectador e são esclarecedores principalmente para entendermos os princípios e motivações do protagonista. Diferente dos seus conterrâneos, Ragnar se interessa pela língua e cultura do monge cristão, enxergando na sua convivência com ele uma oportunidade ímpar de aprender tudo sobre sua sociedade. Ele antecipa a utilidade que tal conhecimento pode lhe proporcionar futuramente.Ainda sobre Ragnar, é um personagem de fato muito bem trabalhado. Ele é quem melhor conhecemos na série e se destaca pela perspicácia, audácia e inteligência. A história se move em função de suas atitudes: Floki (Gustaf Skarsgård) constrói o barco a seu pedido, ele é quem convence os companheiros e os lidera nas expedições ao oeste europeu, decide tomar o monge como seu escravo (sendo que pouco antes o salvou de ser assassinado friamente pelo seu irmão Rollo) e desafia Earl Haraldson (Gabriel Byrne) para um duelo, o que define o seu novo status na trama. A cena do fim da temporada na qual ele lança um desafio de inteligência à princesa Aslaug (Alyssa Sutherland) — nem vestida e nem nua, nem sozinha e nem acompanhada, nem faminta e nem satisfeita — demonstra seu lado sagaz. Se por um lado pode parecer um pouco forçado, já que o personagem parece ser o único na série a pensar de forma tão diferenciada, por outro lado a forma como os eventos fluem é totalmente plausível, dando contornos de credulidade ao roteiro.Vikings tinha tudo para ser uma série cujo principal atrativo fosse apenas as cenas de lutas, mas felizmente, provou-se muito mais do que somente sequências de ação. Com personagens bem construídos, roteiro ágil e boa abordagem histórica e cultural a série cai facilmente no gosto do público e gera grande expectativa para as temporadas seguintes.

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