Se entendendo uns aos outros fizeram isto, então nada que queiram realizar será impossível. Então ele confundiu suas línguas, e quando não mais se entendiam, os jogou ao chão”.

Imagem relacionadaOriginalmente publicada no inicio dos anos 2000, numa fase pós-Grant Morrison da Liga da Justiça, Torre de Babel é uma história da Liga, mas focada na psique do Morcego, e definiu algo que seria motivo de algumas cismas nos anos subsequentes, um homem extremamente inteligente, precavido e paranoico, que possui planos de contingência para seus companheiros.

Escrita por Mark Waid, com desenhos de Howard Porter, a trama que se desenvolveu entre as revistas JLA#43-46 e JLA Secret Files #3, apresentava um esquema elaborado por Ra’s Al Ghul, que ao roubar os planos do Homem-Morcego para incapacitar a Liga, acaba os adaptando para dar fim aos membros do grupo, tudo com a ajuda de um sistema que inibe a compreensão da fala, fato que justifica o mito bíblico da Torre de Babel no título.

Imagem relacionadaA personalidade do Morcego é definida diante destas duas vertentes. Ao mesmo tempo em que demonstra engenhosidade em estudar os pontos fracos de cada um de seus colegas, a preocupação de Bruce Wayne soa exagerada, e assume que, diante de adversidades, somente ele seria um personagem incorruptível. Se os planos ressaltam sua inteligência, também apontam uma falta de confiança na equipe, motivo que lhe faria desenvolver um satélite espião, parte fundamental do conflito em Crise de Identidade e Crise Final.

Imagem relacionadaO leitor percebe que após os eventos iniciais, o Batman se torna tanto o herói, quanto o vilão da trama, e Ra’s, como um coadjuvante catalisador do conflito, se apresenta fiel a sua personalidade, desejando uma nova ordem no mundo diante de uma condição global desoladora. A filha Talia também se destaca, e é personagem principal de uma das partes da aventura que apresenta o roubo dos dados na Batcaverna.

A história ressalta a vertente controladora do herói, que mesmo cheio de recursos, reconhece intimamente que ainda é um humano entre seres extraordinários. O conto ainda moldou uma nova era para os quadrinhos, possibilitando novos alcances em suas histórias, pois os vilões não mais precisavam necessariamente ser aqueles que assumiam o manto da maldade, mas também poderiam ser os intitulados heróis, que no seu âmago acreditariam estar seguindo o caminho certo para a salvação daqueles ao seu redor.

Um roteiro impecável de Waid, com uma trama amarrada e que prende o leitor até o desfecho final, casou muito bem com a arte de Porter, que apresenta ambientes elaborados e dá vida nas expressões dos heróis, fazendo com que seus sentimentos atravessem a nona arte. Em determinadas páginas, é possível que o leitor identifique o clima e tensão, ou entenda o que ocorre, sem ler uma única palavra.

Torre de Babel explora  a humanidade dos personagens, mais do que seu lado heroico, e traz à tona seus maiores medos, sitiados em um mundo qual não podem se sentir seguros a todo instante, mesmo possuindo habilidades descomunais. Aqui a luta vai além de conter a calamidade de Ra’s, ou de lidar com os planos de contingência do Batman, o real inimigo é invisível, pois a pior guerra é aquela que se trava contra si mesmo.

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