“…E o Vento Levou” (“Gone With the Wind” no original) é um filme de romance histórico dirigido por Victor Fleming e produzido por David O. Selznick. Adaptado do livro de mesmo nome de 1936, escrito por Margaret Mitchell, foi distribuído pela Metro-Goldwyn-Mayer.

Lançado em 15 de dezembro de 1939 nos Estados Unidos, foi recebido de forma predominantemente positiva por críticos de cinema, que elogiaram sua produção e seu roteiro, embora alguns tenham analisado que não possuía drama o suficiente e que era longo demais. O elenco foi altamente elogiado, com diversos resenhistas prezando a atuação de Vivien Leigh como Scarlett. Como resultado, foi indicado em 13 categorias no Oscar de 1940, e venceu dez delas, incluindo as de Melhor Filme e Melhor Diretor. Duas das vitórias foram honorárias, e Hattie McDaniel se tornou a primeira mulher afro-americana a conquistar um Oscar.

Além de ter sido um sucesso de crítica, o projeto também obteve destaque no campo comercial, convertendo-se no filme com maior arrecadação até então, com US$ 390 milhões obtidos, e mantendo tal êxito por mais de 25 anos. Com os ajustes da inflação, é o filme mais bem sucedido da história, com mais de US$ 3 bilhões arrecadados. Apesar de ter sido criticado como uma glorificação do revisionismo histórico da escravidão, “…E o Vento Levou” foi creditado por iniciar mudanças na maneiras de como os afro-americanos são retratados nos filmes. Relançado nove vezes, obteve grande destaque na cultura popular, sendo posicionado na quarta colocação da lista dos melhores filmes estadunidenses do American Film Institute (AFI), e selecionado pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos para ser preservado no National Film Registry (NFR).

A história inicia com uma reunião social acontecendo na grande plantação de Gerald O’Hara (Thomas Mitchell), em Tara, na Georgia. Na mansão está Scarlett (Vivien Leigh), a bela e teimosa filha do dono que ainda é jovem e acha a vida em Tara monótona. Os gêmeos Tarleton, Brent (Fred Crane) e Stuart, imploram para serem seus acompanhantes no churrasco, que acontecerá em Twelve Oaks, uma plantação vizinha. Scarlett flerta com eles enquanto tenta obter informações sobre o homem que ela ama obsessivamente, Ashley (Leslie Howard), o primogênito do patriarca de Twelve Oaks.

Já em Twelve Oaks, Scarlett é o centro das atenções, em razão dos vários pretendentes que pairam sobre ela, mas nenhum deles é Ashley. Mais tarde Scarlett ouve os cavalheiros discutindo acaloradamente sobre a guerra eminente que acontecerá entre o Norte e o Sul, crendo que derrotarão em meses os ianques. Só Rhett Buttler (Clarrk Gable), um aventureiro que tem o hábito de ser franco, não concorda com estas declarações movidas mais pelo orgulho do que pela lógica.

Scarlett chama a atenção de Ashley para tentar conversar com ele. Os dois vão até a biblioteca e ela fala para Ashley que o ama profundamente. Isto só faz ele lhe dizer que está noivo da prima dela, Melanie Hamilton (Olivia de Havilland). Ashley diz que ama Melanie, entretanto admite que ama Scarlett fraternalmente. Ela fica ainda mais irritada e esbofeteia Ashley, que sai. Ela então lança um vaso contra a lareira e descobre que atrás de um sofá estava Rhett. Quando Scarlett diz que ele não é um cavalheiro, Rhett retruca dizendo que ela não é uma dama. Apesar deste confronto, é claro que Rhett ficou atraído pela beleza de Scarlett.

Em Twelve Oaks chega um cavaleiro, para dizer que a guerra começou. Os homens correm para se alistarem. Enquanto via Ashley se despedir de Melanie, Scarlett ouve Charles lhe pedir em casamento. Movida pela mágoa, ela aceita e diz que quer casar antes que ele parta. Assim Melanie e Ashley se casam em um dia e no seguinte Scarlett se casa com Charles, apesar de não sentir nenhuma atração ou amor por ele. O que Scarlett desconhecia é que o futuro lhe reservava dias muito mais amargos, pois durante a Guerra Civil Americana várias fortunas e famílias seriam destruídas.

A Scarlett é uma personagem bastante complicada, uma vez que em plena época de protagonistas perfeitos e de ideais fortes, ela se apresenta egoísta e determinada a passar por cima de todos para conseguir o que deseja. Isso pode soar feminista e irritante para alguns, mas na verdade é justamente aí que está o charme da personagem. Seu modo de lutar, sua força de vontade para trazer o bem aqueles que a rodeiam, sem nunca deixar de pensar na própria felicidade fazem de Scarlett uma personagem complexa e bastante profunda.

As cenas de Butler funcionam quase que em sua totalidade em função de Scarlett, uma vez que ela está praticamente presente em todas as sequências com o aventureiro. Em particular, a cena do primeiro beijo, enquanto ambos fogem de uma cidade incendiada, é uma das mais famosas da história. Scarlett está jogada nos braços de Rhett, inteiramente vulnerável, enquanto este se aproveita da situação e a beija de força romântica e única.

Ainda que o romance seja o principal motor do filme, existem outros pontos a serem destacados nesta produção. A escravidão e a guerra civil são temáticas importantes, mesmo que a primeira seja apresentada de forma simplista. Os escravos que observamos comportam-se como empregados felizes, nunca sofrendo a mão pesada da sua condição. Esta glorificação da escravidão é uma mácula deste filme.

Os cenários grandiosos, muitos deles pintados à mão e inseridos em pós-produção, a fotografia muito bem concebida e os figurinos bufantes até hoje chamam a atenção com seu esplendor. “…E o Vento Levou” é um clássico que deve ser visitado e revisitado por qualquer cinéfilo que se preze. A duração do filme pode assustar e a segunda parte do longa pode ser menos interessante para alguns, mas a força dos personagens e a beleza das imagens atrelada à inesquecível música de Max Steiner, fazem com que a tarefa de assistir essa obra seja totalmente gratificante.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s