“The Room” é, sem dúvida, o pior filme já feito. Mas não desanime com esse comentário, até porque esse review se encontra na nossa coluna de filmes clássicos semanal, e este filme certamente mudará sua vida, se é que já não mudou.

Não é apenas a terrível atuação, roteiro fora do normal, cenas altamente desconcertantes que causam uma sensação única de vergonha alheia, trilha sonora nada imersiva, mas também o fato desse filme ser um melodrama sem pé nem cabeça que fará os expectadores vomitarem em si mesmos.

“The Room” é magicamente tão errado que só pode ser o produto de uma intervenção divina. Se dessem aos melhores cineastas da história a tarefa de criar um filme espetacularmente horrível, mesmo com todo os seus conhecimentos e habilidades, jamais conseguiriam criar qualquer coisa que pudesse superar o nível de porcaria que esse filme é.

A peça central deste holocausto cinematográfico é o próprio Tommy Wiseau. Sem ele, ainda seria o pior filme já feito, mas com ele é o maior pior filme já feito. Tommy poderia ser descrito como um ciborgue ou qualquer outra coisa que não seja dessa galáxia. Você irá se apaixonar por esse homem, que parece sempre fora do lugar, tempo e deste mundo.

O filme começa com Johnny (Tommy Wiseau) e sua noiva incompreensivelmente má, Lisa (Juliette Danielle), cuja propensão para retirar sua camisa pode ser considerada maior que sua frustração por conviver ao lado dele. Denny (Phillip Haldiman), é o vizinho adolescente e sexualmente confuso que claramente sofre de uma forma de decrepitude envelhecida e tara anormal por Lisa.

Quando Denny diz, com um tom de voz ligeiramente assustador e brincalhão, “eu gosto de assistir!” enquanto Johnny e Lisa brincam de travesseiradas na cama em um ritual pré-coito com pétalas de rosa ao redor, o expectador então percebe que está diante de um filme muito “especial”. Depois de uma longa cena de amor (que é mostrada novamente na íntegra mais tarde durante o filme, pois nem se deram ao trabalho de filmar duas cenas separadas), no qual o estranho torso de Tommy e seu traseiro são retratados com carinho uma e outra vez enquanto ele profana o umbigo de Lisa com seu instrumento sexual, então descobrimos que Lisa, sem motivo coerente, fica aborrecida com o amor incessante de Tommy e decide deixá-lo.

Apenas quando você acha que o filme pode cair em um tipo de maldade comum, o melhor amigo de Johnny, chamado Mark (Greg Sestero), aparece e eletrifica a tela com uma performance tão de madeira que poderiam ter simplesmente trocado o ator por um manequim qualquer. Lisa obriga Mark, em meio a seus protestos insignificantes e pouco convincentes, a ter um caso com ela em suas incômodas escadas circulares. Sem razão aparente, Lisa decide que ela é feita de puro mal e quer torturar seu noivo angélico e insanamente dedicado, Johnny. Lisa recebe aconselhamento pontuado de sua mãe que anuncia de maneira bem casual que está morrendo de câncer de mama, só para nunca mais fazer menção sobre isso novamente.

Lisa, por sua vez, está determinada a fazer da vida de Johnny um verdadeiro inferno, apesar do fato de que ela, de acordo com sua mãe, “não pode sobreviver por conta própria apenas trabalhando com seu negócio de computação”.

Nas cenas seguintes, é uma loucura atrás da outra. Denny se mete em problemas com um traficante de drogas. Tommy fica bêbado com um coquetel e solta algumas risadas que parecem até cronometradas. Lisa mente e diz a todos que Tommy a socou em um momento de fúria enquanto estava bêbado. Um psicólogo aparece do nada oferecendo alguns conselhos, então aparentemente morre enquanto caia suavemente no chão na tentativa de pegar uma bola de futebol jogada por Mark. Tommy grita expressivamente a frase “Você está me despedaçando, Lisa!’. São tantos os eventos bizarros e frases sem nexo algum, jogadas no meio das conversas destes personagens, que provavelmente farão qualquer um se perguntar durante as cenas: “Mas o que diabos está acontecendo aqui?”.

Este é um filme que deve ser assistido a todo custo, não por ter se tornado um cult, mas justamente por toda sua esplendorosidade sem igual. Deve, inclusive, ser assistido até que suas frases possam ser recitadas com afinco e preciosidade, pois isso é o que esse filme tem de melhor a oferecer. Deixe “The Room” tornar-se sua nova religião, Tommy Wiseau seu profeta e não se esqueça: “It’s not true! It’s bullshit! I did not hit her! I did nooot. Oh hi Mark!”.

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