The Shining (O Iluminado, no Brasil) é um filme anglo-americano de terror psicológico de 1980 produzido e dirigido por Stanley Kubrick, co-escrito pela romancista Diane Johnson e estrelado por Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd e Scatman Crothers. O filme é baseado no romance de Stephen King de 1977 com o mesmo nome, embora existam mudanças significativas entre uma obra e outra.

Kubrick não é apenas um diretor, mas também um sublime fotógrafo, e essa é uma característica que se sobressai em sua técnica e eleva sua habilidade artística na questão de estilo. Kubrick, foi um cineasta que lapidava seus filmes com cuidado e paciência, e mesmo tendo uma filmografia relativamente curta e com longos espaços de tempo entre um filme e outro, era capaz de dominar qualquer gênero com maestria, fosse o horror, o épico, o erotismo ou a ficção científica.

O filme narra a história de Jack Torrance (Jack Nicholson), que na sua luta contra a bebida, aceita um emprego de zelador em um luxuoso hotel nas montanhas do Colorado. Isolado pela neve com sua esposa, Wendy (Shelley Duvall), e seu filho, Danny (Danny Lloyd), ele teria tempo para se dedicar a uma peça que vinha escrevendo, e que representaria um novo começo para a família.

Mas o Hotel Overlook esconde segredos violentos em seus belos corredores e salões de festa. Segredos que o pequeno Danny acabaria libertando com seu talento paranormal, chamado “iluminação”. Alertado pelo cozinheiro do hotel, Danny a princípio tenta se adaptar ao novo lar, mas as coisas que povoam o lugar acabam despertando, e se infiltram na frágil mente de Jack, que é levado a uma loucura homicida contra o filho e a esposa.

Como expectador, a atuação de Jack Nicholson é um deleite aos olhos com suas caretas bizarras e sua loucura extremamente convincente, no entanto, o autor do livro “O Iluminado” pensou diferente. Stephen King afirmou não ter gostado da atuação de Nicholson, afirmando que o ator estava errado para o papel. Segundo ele, quando o ator iniciou o filme com seu “sorriso maníaco”, o público automaticamente o identificou como um maluco. Ele cita também: “O livro é sobre uma descida gradual do personagem Jack na loucura, através da influência maligna. Se a história já começa com um louco, toda a tragédia de sua queda é desperdiçada”.

Já o pequeno ator Danny Lloyd, acreditava-se que com a estreia do filme, ele seria um novo astro infantil, graças a sua ótima atuação. Porém, o ator só teve mais um pequeno papel na televisão dois anos depois do filme. Para proteger o ator, que na época tinha apenas 5 anos, Kubrick disse a ele que o filme era um drama. Danny só viu a obra quando já tinha 16 anos e revelou que não havia achado assustador, já que esteve nos bastidores. Outro fator que contribuiu para causar medo no espectador, foi a imagem da inocência do menino posta em perigo quando o seu pai que teoricamente seria o seu protetor, acaba se tornando o grande vilão da história.

Toda essa trama é contada dentro de cenários gigantescos construídos em estúdios pela equipe de Kubrick para mostrar ao espectador a sensação que o isolamento pode causar, além de usar cores e desenhos geométricos hipnotizantes. Cada objeto, cor e detalhe no set foram pensados com o intuito de aumentar a angustia em que está assistindo.

O trabalho sonoro de uma obra consiste de composições de atmosferas que gerem determinadas reações no espectador e sentidos diversos através de uma representação de um sentido possível. Pode ser afirmado que a trilha sonora é essencial para a compreensão e desenvolvimento do filme, e aqui, Kubrick mostra a sintonia entre trilha e imagem, trazendo uma perfeição que beira ao desconforto: a quase ausência de diálogos e os longos planos transformam a imagem em uma linguagem cheia de metáforas sombrias.

Conhecido como um dos trabalhos mais emblemáticos de Stanley Kubrick, O Iluminado é um filme para ser assistido diversas vezes. O modo como o suspense vai se instalando de maneira gradual é contagiante, e a claustrofobia provocada por um ambiente inusitadamente amplo é surpreendente. King pode ter tido suas razões para criticar esta bela e impactante obra, mas a crítica especializada pensa diferente: estamos diante de um clássico que só melhora com o tempo.

 

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