The Inpatient é um jogo de terror psicológico desenvolvido pela Supermassive Games e publicado pela Sony Interactive Entertainment para o PlayStation 4 e o seu headset de realidade virtual PlayStation VR. O jogo foi lançado no dia 23 de janeiro de 2018 e nele, são mostrados os eventos que aconteceram 60 anos antes da história mostrada em Until Dawn. Para conhecer mais sobre o jogo Until Dawn, leia nosso review sobre o jogo aqui.

Convém desde já esclarecer que The Inpatient não requer qualquer conhecimento prévio da saga, já que as ligações reais a Until Dawn são mínimas. O foco desta narrativa fica por conta do jogador, um paciente do hospício Blackwood Pines que foi internado com amnésia, e que agora terá de desvendar os segredos desse local, e do real motivo pelo qual está internado. O jogo dura em cerca de três a quatro horas na primeira vez que é jogado.

O jogo começa com o doutor da Blackwood, Jefferson Bragg, fazendo perguntas para você em uma sala escura enquanto você está preso em uma cadeira. É uma espécie de tutorial das mecânicas principais do jogo. A maior parte da interatividade do jogador vem na forma de responder perguntas.

Como em Until Dawn, suas escolhas irão conduzir o jogo por caminhos de ramificação que afetam quem vive e quem morre, muitas vezes de forma imprevista. Porém diferente do mesmo, há muito pouco de ação por aqui. É um jogo sobre andar e falar, literalmente. Você pode opcionalmente falar em voz alta para responder perguntas usando o microfone embutido no Playstation VR, e o reconhecimento de voz funciona muito bem na maior parte do tempo.

No início, tudo é extremamente tenso e atmosférico. As interações simples com os objetos próximos trazem sequências de memória, ao mesmo tempo em que as conversas com a equipe do sanatório em seu quarto vão decidindo o curso da narrativa. Durante os pesadelos do personagem, o jogo tem algumas sequências genuinamente inquietantes atoladas de jumpscares, ruídos estranhos e animais assustadores no final de um corredor vazio.

Mas assim que você escapa do quarto, a tensão se colapsa e o jogo se transforma em uma decepcionante caminhada através de corredores, salas e escritórios, com um conjunto de personagens pouco convincentes. O que começou como uma história sombria de estresse psicológico torna-se um passeio de férias de casa assombrada, sem fantasmas.

The Inpatient é um jogo em primeira pessoa, mas ao contrário da maioria dos outros jogos em realidade virtual, aqui é possível ver o corpo completo do seu personagem, e não apenas as suas mãos. Pode ser jogado com o DualShock 4, ou com dois Moves, mas com estes dois últimos será preciso conviver com alguns problemas de colisão. Por exemplo, os braços por vezes ficam presos em objetos e não acompanham o movimento do jogador, o que naturalmente causa alguns momentos estranhos que quebram a imersão.

A câmera também requer uma boa distância para detectar corretamente os Moves, e consegue ser particularmente chato quando não os detecta. Outro detalhe estranho do jogo seria a escala de todos os objetos e personagens, que não condizem com o tamanho correto do que seria considerado realístico. Ao olhar outros personagens, por exemplo, sente-se a impressão de estar vendo gigantes. Outro fator que incomoda é que os braços do seu personagem, devido ao erro na escala de todo o jogo, acabam parecendo longos demais em comparação aos seus, influenciando negativamente na imersão.

Outra frustração desnecessária foi a ausência de uma opção para andar de costas. Se o jogador passar por um objeto ou algo de interesse, então precisará dar uma volta de 180º, quando poderia simplesmente dar dois ou três passos para trás. Esse elemento, associado à detecção nem sempre feliz dos Move, pode irritar alguns jogadores.

Os desenvolvedores criaram uma atmosfera muito eficaz que mantém o jogador em suspense e, quando tenta assustá-lo, normalmente consegue. Toda essa ambientação macabra fundindo-se com a excelente qualidade gráfica do jogo é um ponto forte e favorável na imersão, mas mesmo para os padrões da Supermassive Games, ainda é fraco. Tudo bem que é um jogo voltado exclusivamente ao VR, mas percebe-se que muitos dos cenários são escondidos pela escuridão, por serem claramente imperfeitos. Nem sempre tão visíveis aos olhos menos analíticos, alguns objetos do jogo parecem pertencer a outro jogo qualquer, devido às suas qualidades inferiores quando comparadas aos objetos mais iluminados.

Este é um jogo mais silencioso do que Until Dawn. Adota um tom mais direto, optando pelo horror psicológico ao invés de acontecimentos aterrorizantes. Não há nada de errado com essa abordagem, mas ainda assim o jogo poderia ter sido mais excitante. É uma maravilha técnica, mas às vezes a experiência parece vazia e sem nexo. No final, parece que a história não fez sentido algum, e talvez seja preciso jogar mais vezes e fazer ações diferentes para se compreender toda a ideia do jogo.

The Inpatient é um sinal encorajador para onde o drama interativo em realidade virtual pode estar indo. É ruim que, desta vez, não seja interessante. No entanto, mesmo que o último ato seja mais fraco, a sensação de estar naquele lugar é surpreendente e o fato de poder responder as perguntas usando sua própria voz, já é um grande diferencial para o jogo. O valor do mesmo atualmente está bastante alto, portanto vale esperar uma queda no preço, ainda mais avaliando que o jogo tem uma curta duração.

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