A fase dos Novos 52 trouxe uma roupagem nova para os heróis da editora das lendas, originado pós Flashpoint, reformulando muito do que era conhecido pelos fãs, o que normalmente não agradou muito. Mesmo que alguns títulos não estivessem ao nível de primor conhecido, houveram arcos que se destacaram para os leitores, como foi o caso de Aquaman – Profundezas, que trabalhou o rei dos sete mares de uma forma inovadora.

Geoff Johns ficou a cargo de escrever para o rei de Atlântida, a má fama do herói serviu como pontapé para apresentar a sua grandiosidade na história, quando seres humanoides surgem do mar e a polícia pede ajuda do soberano para o caso. Ao contrário das megas sagas, em apenas quatro partes, o roteirista demostra a renovação de seu Aquaman e a qualidade de sua obra. Apresentando um soberano cansado por não ser considerado heroico, ao mesmo tempo em que, durante a ação, demonstra habilidades além da malfalada telepatia marítima. Justificando porquê o personagem integrou diversas formações da Liga da Justiça. Assim como mostra a potência de Arthur, Mera é desenvolvida no mesmo patamar, uma rainha poderosa, capaz de controlar a própria água.

merathetrenchA história quer que nos afeiçoemos ao Rei, mas ao mesmo tempo demostra que ele não se importa mais, apenas fazendo o que deve ser feito. A ideia é bem interessante, dando uma noção de como o mundo vê o personagem – chegando a seu melhor momento quando, durante uma entrevista com o senhor dos mares, a infame pergunta “como você se sente sendo o herói favorito de ninguém?” – Serve para dar um pequeno aprofundamento no personagem.

aquajokethetrenchToda a trama é instigante e misteriosa, criando ramificações e riqueza para a história, mesmo que inicialmente pareça algo insignificante. As cenas de ação na trama são pontuais, realizadas com qualidade a favor da narrativa, uma boa história contrapondo o herói e o vilão de maneira tradicional. Ao inserir a trama em primeiro plano, o próprio leitor vai reconstruindo o Aquaman de acordo com as ações em cena observando sua inteligência, a superforça e outras características capazes de derrubar o mito de um herói bobo.

As artes ficam a cargo do brasileiro Ivan Reis, que dá preferência aos pequenos quadros, quais segundo ele, deletam os maiores, colocando pontos chaves nos menores e trazendo a atenção do leitor para a trama, não apenas para a arte. Ainda assim, não estão ausentes as splash arts, aquelas páginas duplas de encher os olhos.

Interessante mencionar que este arco impulsionou a criação da animação Liga da Justiça: Trono de Atlântida, umas das mais aclamadas dos últimos tempos.

Aquaman – As Profundezas foi um dos melhores inícios da fase Novos 52, capaz de inserir o personagem no merecido panteão da DC Comics. Geoff Johns demonstra domínio narrativo para criar uma história inicial com trama simples, mas eficiente, marcando o início de uma nova representação do Rei de Atlântida.

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