Em Ritmo de Fuga é um filme de comédia e ação dirigido por Edgar Wright (que também dirigiu Scott Pilgrim Contra o Mundo e Todo Mundo Quase Morto) que acumula ótimas críticas e se mostrou um sucesso de bilheterias no mundo todo. O filme foi lançado no final de junho de 2017 na América do Norte e alguns países da Europa, mas só um mês depois chegou aos cinemas brasileiros. Com um elenco devastador e uma trilha sonora repleta de clássicos, fica a pergunta: Vale a pena assistir?

O filme conta a história de Baby (Ansel Elgort), um garoto de origem misteriosa, que possui ótimas habilidades de direção e trabalha como motorista de fuga para Doc (Kevin Spacey), um chefe do crime que comanda assaltos de grande porte. Junto a ele estão Buddy (Jon Hamm), Bats (Jamie Foxx), Griff (Jon Bernthal), e Darling (Eiza González), que realizam o trabalho sujo de praticar os assaltos. Assim que Baby conhece Debora (Lily James), ele decide abandonar a vida de crimes e viver uma vida comum. No entanto, Doc ainda tem planos que exigem a participação de Baby para serem realizados.

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As primeiras cenas do longa já apresentam ao espectador o espírito do filme. Iniciando com uma sequência de assalto e fuga ao som da música Bellbottoms, de The Jon Spencer Blues Explosion, que conta com diversos momentos repletos de ação e impressionantes manobras de carro à lá Velozes e Furiosos. Mas o surpreendente é que a música move o filme. Utilizando de faixas de rock e blues dos anos 80, o diretor incorporou a trilha sonora na duração de todo o longa sem tirar a imersão do mesmo, mostrando uma diferente perspectiva para um filme do gênero musical.

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Logo no primeiro ato do filme é descoberto que Baby possui problemas auditivos e a música serve como uma forma de minimizar tal condição. Por tal razão, o personagem carrega um iPod a todos os momentos, e ouve incessantemente aos mais diversos gêneros, partindo de bandas como Queen (na faixa Brighton Rock, com seu incrível solo de guitarra) até The Commodores (com a famosa Easy). Ainda, é muito explorado o estilo alternativo de Baby, com diversas músicas experimentais, que mostram sua afeição pela música e a capacidade de tornar até o mais banal diálogo em algo interessante.

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Como na maioria dos filmes de Edgar Wright, os personagens são bem característicos, com histórias passadas pouco aprofundadas no decorrer do enredo a fim de entoar mistério, mas que se mostram interessantes por conta de rápidos diálogos que são apresentados durante a história. Baby, por exemplo, tem seu background apresentado por conta de flashbacks, que em grande maioria não possuem muitas falas, mas destacam a trilha sonora a fim de apresentar os sentimentos dos personagens. Já a gangue de assaltantes tem seu passado exposto em apenas uma cena, durante uma conversa entre os integrantes. Por conta disso, é relevante notar que os personagens exalam suas personalidades por conta de suas ações no filme, e a falta de uma história extremamente desenvolvida para cada um deles não se torna um empecilho para o desenvolvimento dos mesmos.

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Outro ponto a se destacar é o andamento do filme. Por conta de a história girar em torno da vida de um garoto bom envolvido com grandes crimes, o longa passa por momentos românticos e emocionais, e logo em seguida bombardeia cenas de ação frenéticas e muitas vezes contando com elementos gore. Ainda, por conta de possuir muita comédia, o espectador é jogado em uma montanha-russa de emoções, que fazem as duas horas de duração passarem em um estalo de dedos.

Comparando Em Ritmo de Fuga com os trabalhos anteriores de Edgar Wright, fica claro como o diretor colocou toda sua personalidade na obra. O filme é um projeto que Edgar vêm tentando produzir desde 1994, e a obra final prova que o tempo permitiu o amadurecimento da ideia, condensando-a em uma sinestésica experiência que proporciona diversas emoções e sentimentos a qualquer um que a assista.


PRÓS

+ Grande parte dos personagens passam por uma clara evolução no decorrer da história.

+ A trilha sonora é muito presente e bem empregada.

+ O filme conta com diversas cenas de ação, e todas são muito bem produzidas.

+ O elenco foi muito bem escolhido, dando vida aos personagens.


CONTRAS

– Pouco tempo de tela para o personagem de Kevin Spacey.

– A história de Baby apresenta lacunas que não são sanadas.


NOTA FINAL: 9,0 DE 10,0

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