Death Note é uma aclamada série de quadrinhos japoneses, adaptada para um desenho animado de mesmo renome, e recebeu diversas obras para outras mídias, como filmes, livros, jogos e até musicais. A Netflix lançou uma adaptação ocidental da obra, colocando o diretor Adam Windgard e o roteirista Jeremy Slater para a difícil tarefa de agradar tanto uma enorme legião de fãs quanto pessoas que nunca entraram em contato com a obra original.

O filme conta a história de Light Turner (Nat Wolff), um inteligente estudante de ensino médio, que recebe um caderno misterioso, que o permite matar pessoas apenas conhecendo o nome e o rosto das vítimas. Agora com a posse do mesmo, o personagem se alia a uma colega de classe, Mia Sutton (Margaret Qualley), e a um demônio e dono original do caderno, Ryuk(Willem Dafoe), que juntos decidem purificar o mundo dos principais criminosos. No entanto, um misterioso detetive (Lakeith Stanfield), conhecido apenas pela letra L, passa a investigar o caso, a fim de acabar com o legado de Light.

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O filme inicia com diversas cenas que apresentam a personalidade dos personagens principais. Light se mostra inteligente por vender exercícios e trabalhos aos colegas. Mia é uma garota popular, mas que se mostra desinteressada por estar nessa posição, e busca novas aventuras (vulgo “rebelde”). Ryuk é um personagem que se interessa pelos humanos e a forma com as quais agem, sendo diversas vezes sarcástico e caótico.

Um dos principais problemas da adaptação é que estas características são, em grande parte, apresentadas nas sequências iniciais do longa. Com uma curta construção de personagem, principalmente pelo protagonista do filme, toda a obra passa a se desmoronar. Light é um personagem raso, que demonstra sua inteligência apenas no início e no final do filme, fazendo o público se perguntar como seria possível o mesmo elaborar um plano tão mirabolante ao desfecho da história.

Mia, no entanto, se mostra bem mais interessante do que Light, visto que sua forma de pensar é um pouco mais aprofundada do que o protagonista. No entanto, a mesma não possui motivações que justifiquem seus atos. Ryuk, por sua vez, é um dos personagens mais fiéis à obra original. Com um visual semelhante, um ar cômico e sádico e a ótima atuação de Willem Dafoe, Ryuk é personificado como um personagem assustador, mas intrigante. E por fim, o detetive L tem diversas de suas características idênticas aos mangás, com trejeitos estranhos e muito mistério em relação a seu passado, mas muito cai por terra por conta de um roteiro escrito às pressas, que elimina grande parte da genialidade do personagem, fazendo com que as ações do mesmo sejam muito mais emocionais do que estratégicas.

Death Note

O roteiro, como comentado no parágrafo anterior, tem diversas falhas e momentos desconexos. Por conta de tentar agradar os mais diversos públicos, o filme conta com um pouco de cada gênero, indo de extremos como romance colegial a terror gore. Dessa forma, não é desenvolvida uma ambientação que faça sentido, contrastando momentos sérios com piadas dignas de uma comédia pastel dos anos 80. Ainda, a fim de condensar uma obra de aproximadamente seis horas, que equivale à duração do primeiro arco do anime, em apenas uma hora e meia de filme, o ritmo do mesmo falha em desenvolver tanto os personagens quanto as ações dos mesmos. Em diversos momentos o detetive apresenta motivos fúteis para determinar a localização do assassino, questionando o senso lógico do público. Também, as referências que o filme tenta relacionar com os fãs acabam caindo por terra, citando como principal exemplo a cena na qual o Light decide utilizar o nome Kira que, por conta do filme se passar nos Estados Unidos, acaba ficando sem sentido neste contexto.

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O Death Note da Netflix passa longe do que os fãs poderiam esperar. O filme peca por não encontrar um público-alvo e tentar conseguir uma audiência abrangente, entregando um pouco de cada gênero no decorrer do mesmo. Por conta disso, certamente não é recomendado para aqueles que assistiram e gostaram da obra original, mas pode ser um bom filme para curiosos pela história, que busquem uma história menos pesada e adaptada de uma maneira mais “americana” para o cinema.


PRÓS

+ Mia tem características interessantes, representando o lado “psicopata” de Light.

+ Ryuk é bem representado, com a atuação de Willem Dafoe dando vida ao personagem.

+ Pode entreter pessoas que nunca leram o mangá ou viram o anime.

+ Algumas mudanças na história dão um ar interessante aos acontecimentos.


CONTRAS

– Personagens com pouca profundidade, que não evoluem de forma interessante.

– Buscou agradar diversos públicos ao adicionar vários gêneros de filme, mas falhou em todos.

– Trilha sonora e ambientação não conversam com o filme.

– Filme tem um ritmo muito corrido, não conseguindo aprofundar muito da história.

– Alguns problemas são resolvidos com explicações fúteis e preguiçosas.

– O final do filme deixa muita margem para uma continuação.

– Os personagens tiveram suas personalidades muito alteradas em comparação com a história original. (poderia ter sido lançada uma história original ao invés de aproveitar os mesmos personagens)


NOTA FINAL: 4,0

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