Uma obra prima que revitaliza a franquia, dando novos ares a um mundo que já conhecemos

Acorde, Link. Estas são as primeiras e marcantes palavras de um jogo que será considerado um marco na indústria de jogos de mundo aberto. Assim que o jogador acorda em um ambiente com visual futurista (e muito diferente do que todos estão acostumados com a franquia), apenas falas sutis o guiam para o exterior, e é ali que somos apresentados ao mundo do jogo. Com gráficos estilizados que se assemelham a uma obra de arte, e mecânicas extremamente bem desenvolvidas, o jogo fecha com chave de ouro o ciclo de vida do Nintendo Wii U, e inicia perfeitamente a geração do Nintendo Switch, aproveitando muito bem ambos os consoles, sem grandes diferenças entre as duas versões.

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Situado em uma Hyrule cem anos após a chegada de Calamity Ganon, na qual Link acorda após ter sido adormecido por todos estes anos, o jogador é inserido em uma missão de salvar o mundo deste vilão, mas ao contrário do comum na franquia Zelda, não é necessário completar templo ou missão alguma (além do tutorial) para desafiar o inimigo final. Assim que acorda, Link é guiado em um grande cenário denominado Grand Plateau para aprender cada uma das mecânicas que serão utilizadas no decorrer do jogo por meio de Shrines, algo semelhante às diversas salas que continham desafios nos jogos anteriores. Estes Shrines ainda servem para marcar pontos de viagem rápida, assim como conceder orbes que podem ser utilizados para aumentar a vida ou a Stamina do jogador.

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Para progredir no jogo são utilizadas as Runas, que servem como os itens presentes nas iterações anteriores, mas no caso de Breath Of The Wild, o jogador possui as mais importantes após sair do Grand Plateau, permitindo-o aprender os mais diversos usos delas no próprio mundo do jogo. Falando em mundo, eu o considero o personagem principal do jogo. Os desenvolvedores foram capazes de criar uma “caixa de areia” gigante para o jogador brincar. Assim que saí da seção inicial do jogo, passei a explorar o mundo, antes mesmo de fazer a primeira missão da história principal, e, nessa minha aventura, tive experiências pelas quais não passava há anos em jogos de videogame. Como um fã de jogos de survival, onde o jogador não deve obrigatoriamente seguir uma história principal, mas sim viver a própria aventura em um mundo desconhecido, fui muito bem recebido no ambiente de Breath Of The Wild.

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A liberdade deste jogo é fenomenal. No momento que escrevo este review, tenho mais de 45 horas de jogo, e destas, devo ter dedicado menos de cinco horas para a história. Sinceramente, a recompensa por explorar os cenários é realmente algo planejado pelos desenvolvedores do jogo, visto que cada canto possui algum baú, um Shrine, uma missão secundária, um acampamento de inimigos, ou até algum mini-boss esperando para ser enfrentado. Uma das maiores preocupações da comunidade era se o mundo seria preenchido a ponto de ser interessante explorá-lo, e posso afirmar sem medo algum, é um dos melhores (se não o melhor) mundo aberto de todos os jogos.

Os cenários são vivos, a variedade de plantas e animais torna o jogo ainda mais real, e as diversas maneiras com as quais o jogador interage com o meio ambiente tornam o jogo cada vez mais imersivo. Qualquer montanha pode ser escalada, praticamente qualquer árvore pode ser derrubada, é possível montar em qualquer animal de grande porte, cenários frios ou quentes punem o jogador caso não estiver corretamente preparado para lidar com a temperatura. Ainda, o jogo consegue balancear bem os desafios dos inimigos com a recompensa proveniente pela derrota deles.

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Em uma situação que ocorre logo no começo do jogo, fui enfrentado por diversos inimigos muito mais poderosos do que eu poderia aguentar. No entanto, consegui escapar deles e continuar meu objetivo ao me esconder atrás de muros. Da mesma maneira, poderia ter tentado enfrenta-los e, com dedicação, seria capaz de os derrotar. Ainda, poderia nunca ter cruzado com estes inimigos e isso não teria afetado minha experiência dentro do jogo. Não apenas essa situação me marcou, como poderia ficar horas comentando as possibilidades pelas quais passei no jogo, e como seriam os diversos caminhos pelos quais poderia alcançar um objetivo. Isso é o que torna o Breath Of The Wild tão incrível. O meio ambiente e as mecânicas implementadas no personagem conversam e se entrelaçam, abrindo margem para o jogador realmente se sentir inserido ali, vivendo sua própria aventura. A física e a química que foram implementadas no jogo corroboram a fidelidade do mundo do jogo sobre a realidade, permitindo situações pelas quais o jogador se sinta recompensado por pensar fora da caixa.

Outro fator que torna a experiência ainda mais prazerosa é a qualidade e a fluidez com que o jogo funciona. Os gráficos, estilizados por meio de cel-shading, agradam muito meus olhos, e não torna o jogo muito pesado, de forma que tanto o Wii U e o Switch rodem o jogo sem muitas complicações em termo de hardware. Estou jogando no Nintendo Switch, e, como noticiado antes pela imprensa, existem momentos que o framerate cai, mas isso não ocorre o tempo todo, e não afetou em nada nas minhas jogatinas. Em minha opinião, tais quedas são provenientes do cálculo de física nos cenários, visto que em planícies e florestas existe uma grande quantidade de folhas, e cada uma delas se move com base no vento do local. Isso somado a existência de partículas em certas situações, torna o jogo pesado.

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Jogando no Switch, considero que o jogo gasta a bateria do console razoavelmente, durando aproximadamente 3 horas com um brilho alto até precisar recarregar. Os controles são meio confusos nas primeiras horas de jogo, visto que o layout do controle é diferente do que estou acostumado com o Dualshock 4, e ainda são muitas as ações possíveis de serem realizadas, como, por exemplo, a inserção de um botão de pulo, inexistente em jogos anteriores da franquia, mas muito importante nesta iteração, tornando o controle do jogador ainda maior sobre as ações do personagem. Um detalhe importante de se lembrar é que não existe uma maneira efetiva de remapear os botões do controle, sendo apenas possível alternar o layout entre o botão de pulo e o de correr.

Outro aspecto muito interessante do jogo é a maneira com a qual a história é contada ao jogador. Visto que a liberdade do jogo não impõe um caminho pelo qual se deve iniciar a história, os desenvolvedores fizeram um ótimo trabalho ao construir uma população que é capaz de contar detalhes, e apresentar a história do jogo e dos acontecimentos em pequenos trechos, ou até em acontecimentos que transformaram o mundo do jogo, de forma que não seja necessária uma cronologia ao receber tais informações.

A utilização de um personagem principal cujas memórias foram esquecidas auxiliou na imersão do jogador, e o colocou lado a lado com o personagem, em questão de conhecimento dos eventos anteriores ao jogo. Ainda, como forma de apresentar ao jogador eventos importantes que definem a personalidade de certos personagens foi introduzido um sistema de memórias, disponível ao acesso do jogador logo após completar uma das primeiras missões da história principal, permitindo-o reviver certas situações anteriores ao jogo.

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The Legend Of Zelda: Breath Of The Wild é um ótimo exemplo de como um jogo de mundo aberto deve ser. Com mecânicas realistas, que obrigam o jogador a pensar constantemente sobre qual das diversas formas pode resolver um problema, o jogo simplesmente funciona, e da melhor maneira possível. A arte do jogo, com seu estilo único e o mundo do jogo, que funciona em um ecossistema plausível, tornam a experiência de jogo única, e o colocam em primeiro lugar em muitas das listas de melhores jogos da franquia. Assim como o Ocarina Of Time inovou em sua época, e definiu algumas regras nos jogos de ação 3D, Breath Of The Wild será eternizado com o legado da franquia, provando que é possível retrabalhar elementos clássicos e criar um produto novo, mesmo em uma saga com mais de 30 anos.

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PRÓS

+ O jogo trouxe um novo ar à franquia, mostrando um potencial nunca explorado na série.

+ Gráficos lindos no console, tanto em modo portátil quanto na televisão.

+ A história explora os personagens de um ponto de vista dramático, tornando-os realistas.

+ A quantidade de armas e equipamentos que customizam a jogabilidade e a aparência de link é enorme.

+ O mundo do jogo foi construído com muito cuidado, de forma que a física, química e o meio ambiente sempre estão em harmonia.

+ O jogo é repleto de segredos, e recompensa o jogador por explorar os cenários.

+ Os inimigos do jogo são um desafio real para o jogador, fazendo com que sempre seja necessário estar preparado para um combate aleatório.


CONTRAS

– As poucas quedas de framerate podem incomodar alguns jogadores.

– Os inventários do jogo podem ser meio confusos, e a ausência de um caderno de receitas dificulta um pouco a culinária.

– Não é possível trocar o layout dos botões no jogo.


NOTA FINAL: 10,0 DE 10,0

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