Shenmue III é um jogo de ação e aventura desenvolvido pela Neilo e Ys Net, publicado pela Deep Silver em 19 de novembro de 2019 para Microsoft Windows e PlayStation 4.

“Ryo Hazuki, um artista marcial japonês de 18 anos, está determinado a vingar a morte do pai. Neste terceiro episódio da série épica Shenmue, Ryo quer resolver o mistério por trás do Espelho de Fênix, um artefato cobiçado pelo assassino do seu pai. Sua jornada o leva a uma representação imersiva da China rural, cheia de atividade e rodeada por belas paisagens. A aventura de Ryo leva-o a vilas e vilarejos nas montanhas onde ele pode aprofundar seu treinamento, jogar jogos de azar, arcades e trabalhar em meio período enquanto investiga aqueles que sabem a verdade por trás do tal Espelho de Fênix.” – EPIC GAMES

Ryo Hazuki, possui uma caderneta de anotações aonde você pode verificar os mapas do jogo, resumo da história e relatos dos eventos que vão acontecendo conforme eles se passam, seus objetivos atuais e até mesmo números na parte de agenda telefônica. Uma funcionabilidade interessante do jogo é o salto temporal em momentos específicos do jogo em que você precisa encontrar algum personagem que só aparece em um local e horário específico da história.

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Se você correr com a saúde no amarelo, ela se esgotará rapidamente, forçando-o a se alimentar para recuperar PV. No início do jogo, há apenas uma pera, uma maçã e alho negro no seu inventário. E como é esperado, você também perderá saúde quando sofrer danos em batalhas.

Achei bastante útil a função de dar zoom no personagem apertando o botão L2 (lembrando que este jogo foi analisado em um Playstation 4). Cada pressionando do botão faz a câmera se aproximar mais e mais do personagem até chegar na visão em primeira pessoa, porém conforme seu personagem anda, a visão retorna ao estágio inicial. Então basicamente o jogo é em terceira pessoa, mas também com opção de ser jogado em primeira pessoa, desde que você mantenha o L2 pressionado. É algo simples, mas muitos jogos de terceira pessoa não possuem tal opção.

O jogo, no entanto, possui estranhas e desnecessárias mudanças frequentes de câmera durante as cinemáticas. Também não é possível pular ou pausar o jogo durante as mesmas, mas ao menos dá para avançar alguns diálogos com personagens secundários, e acredite, você irá querer pular algumas conversas sem sentido do jogo, principalmente quando perceber que alguns personagens te dão respostas que nem sequer tiveram algo a ver com a sua pergunta.

Sei que este é um típico jogo japonês de nicho, mas um detalhe que me incomodou bastante foram justamente os diálogos e o jeito que os personagens interagem entre si, passando o estranho sentimento de que são todos débeis mentais. Os personagens são duros, as animações são mal desenvolvidas e a dublagem definitivamente não agrada. Se você não curte falação, melhor nem começar, já que o jogo tomará bastante do seu tempo com conversas, coleta de informações e pistas para resolver alguns casos.

Os gráficos do jogo são um tanto estranhos de se avaliar, considerando que os personagens não parecem mesclar de forma muito natural com os cenários. É como se os ambientes do jogo fossem lá do início dessa última geração de jogos, enquanto os personagens possuem um visual mais do estilo gráfico da época de transição da geração PlayStation 2 para o 3, não que isso chegue a ser um ponto negativo, mas considerando o preço do jogo, esperava mais.

A trilha sonora é de dar pesadelos quando você for dormir de tão irritante e enjoativa que é. Escrevi esta análise conforme jogava, então deixei o jogo ligado por vários minutos conforme avaliava certos aspectos do mesmo, e em alguns momentos tive que tirar todo o áudio da televisão, pois já não aguentava mais escutar a trilha de fundo tocando.

Sobre as mecânicas de combate não tenho o que reclamar. As sequências de socos e chutes são bastante fáceis de se lembrar e funcionam muito bem. Pra facilitar, ainda é possível atribuir um botão para os combos. No começo pode ser que você se sinta meio perdido, já que o tutorial de combate é bastante simples, mas logo estará dominando muito bem a defesa e ataque como ninguém. Talvez o único ponto negativo que daria aqui é que você não aumenta suas habilidades lutando com outros personagens, mas sim treinando com manequins de madeiras, o que parece até interessante no início, mas logo te deixará enjoado. Para adquirir novas habilidades, é preciso comprar pergaminhos, e para isso você precisará de um emprego.

Se manter em um emprego é algo que acaba sendo bastante estranho, já que o foco da história deveria ser a vingança da morte do pai de Ryo. Mas entendo que faz parte da série realizar diversas coisas do dia-a-dia enquanto progride na história, como se fosse na vida real, até por isso disse anteriormente que este é um jogo de nicho que definitivamente não agradará muita gente.

Como conclusão, quero deixar claro que acho fantástico que os criadores tenham voltado à ativa para tentar continuar a série, agradando os fãs da série clássica que até financiaram o desenvolvimento deste título através do Kickstarter. Entretanto, imagino que alguns destes fãs possam estar decepcionados agora, considerando que os desenvolvedores prometeram algo impressionante, mas entregaram algo que parece ter sido elaborado para a geração de jogos anterior a esta. É quase como se Shenmue nunca tivesse realmente saído do passado. Shenmue 1 e 2 foram monstruosos em sua época, realizando coisas que nenhum outro jogo conseguia ter naquele momento. Eram jogos a frente de seu tempo, mas infelizmente o terceiro titulo não seguiu a evolução tecnológica, mantendo-se preso ao “mais do mesmo”. É uma pena, já que durante seu desenvolvimento, os criadores se mostravam ambiciosos em entregar algo realmente extraordinário.


Prós

+ Ambientação gráfica agradável

+ Enredo leve e bem contado

+ Boa apresentação de eventos e mecânicas

+ Sistema de combate divertido

+ Função de zoom e alternância para visão em primeira pessoa é um diferencial


Contras

– Trilha sonora é enjoativa

– Personagens possuem gráficos que não combinam muito bem com os gráficos dos cenários

– Manter-se num emprego e realizar funções mundanas pode não agradar todos que jogarem

– Jogo extremamente de nicho

– Apesar dos gráficos serem agradáveis aos olhos, parecem ser da geração passada

– Boa parte dos diálogos são tediosos e mal escritos

– Não é possível pular as cinemáticas ou algumas conversas menos importantes

– Jogo quase não teve evolução nas mecânicas, parece estar preso ao passado



NOTA FINAL: 5.0 / 10.0

Jogo analisado no PlayStation 4 com código fornecido pela Deep Silver

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