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Orangeblood é um RPG com temática pixel-art 16 bits no estilo anos 90. Recentemente tenho vistos muitos indies chegando nesse estilo, a diferença é que Orangeblood tem seu próprio estilo de jogo, ou seja, o jogo é nostálgico porém inovador.

Já pensou em jogar um GTA versão RPG, 16 bits e com uma pegada Yakuza? Não!? Por incrível que pareça, ficou muito bom!

A história começa com Vanilla, uma gângster que trabalha junto com o governo americano para desvendar alguns eventos em New Koza, uma ilha artificial onde Vanilla foi criada. Quando ela retorna da missão, ela descobre que os Russos e outras gangues internacionais invadiram o local e tomaram conta de vários outros locais.

Após se juntar com uma amiga chamada Machiko, elas tomam o clube Shangri-La. Depois  disso, começam a investigar as “ruínas” da cidade, tomadas por máquinas assassinas. Mais pra frente elas encontram outras duas garotas e juntas vão tomar o império do crime, além de revelar os segredos que permeiam o coração de New Koza.

REFERÊNCIAS CULTURAIS

Uma coisa que me cativou bastante foi o imersão cultural que o jogo oferece. A estética, postura e linguajar de Vanilla recordam as gangues antigas dos EUA como os Blood/Crips. Machiko é uma forte referência aos rappers americanos, só que em uma versão mais ” family friendly” do que um rapper costuma ser. Yazaka é uma samurai bem no estilão yakuza, mesclando katana e armas de fogo. Jackie é uma norte-americana apresentada como a cabeça da Tríade Chinesa, uma máquina de combate Kung-fu e uma fusão de todos os filmes do gênero que já assisti.

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COMBATE

É um RPG, mas que dispensa toda aquela história de escudo, espada e poções. Aqui o buraco é mais embaixo e na maioria das vezes são vários buracos, devido ao tiroteio frenético.

Ao contrário dos RPG’s onde cada personagem já começa com  uma classe e equipamentos exclusivos, em Orangeblood todos os itens podem ser equipados em qualquer personagem, sem quaisquer restrições. A única diferença entre os personagens são suas Skills iniciais, mas ao decorrer do jogo é possível adicionar mais Skills por meios de itens, dando um leque de possibilidades na hora de montar sua estratégia. Pra quem é fã do gênero, é um prato cheio.

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Os ataques especiais são os que ajudam a diferenciar cada personagem. O especial de Vanilla é “Deadshot”, que causa dano aos inimigos aleatoriamente. Machiko é um DJ que trabalha como curandeiro e reforçador de estatísticas da equipe. Usando o seu “Boom box você tem a opção de curar continuamente seu time ou aumentar o SP. O especial de Machiko é “Ghetto Blaster”, que pode reviver completamente seu time ou diminuir as estatísticas de seus oponentes. Yazawa usa o “Schwing!” e causa dano em todos os inimigos com sua katana afiada. Jackie faz o papel de um monge e lutador. Seu especial é “kill in 10 steps”, o que o faz esquivar e revidar qualquer ataque focado nela.

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Conforme você progride no OrangeBlood, você encontrará inimigos que podem ser abordados de uma maneira bem única. Se você atirar em um inimigo, ele ficará atordoado, dando a opção de correr ou enfrentá-lo. Se você se envolver enquanto estiver atordoado, seu grupo começará com mais oportunidades de usar ataques especiais, facilitando um pouco a batalha. Por outro lado, se você não acertar sua marca, você começa com zero ataques especiais, e os inimigos podem ser mais desafiadores. Atirar em inimigos antes da tela de batalha sempre parecia satisfatório.

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O combate geral é bem divertido, e é bom porque você precisa lutar muito. Há sempre alguma expectativa de repetição em RPG’s, mas o Orangeblood, infelizmente, o usa como preenchimento para fazer o jogo parecer muito mais longo do que realmente é.

HISTÓRIA, NARRATIVA E DIÁLOGO

A narrativa principal do jogo é sensacional, mas é tanto diálogo inútil e combate desnecessário que ficou na cara que estavam com medo de entregar um jogo curto, o que pra mim não seria problema algum.

Por mais simples que o enredo possa parecer monótono, leva algumas reviravoltas mais tarde nas partes posteriores que acho que poucos poderiam prever. Mas apenas porque é imprevisível, não significa que a história seja sólida. Várias vezes me perguntei o que estava acontecendo e por que os personagens agiam de determinada maneira. À medida que o jogo avança, fica mais estranho e aleatório e, embora tenha quebrado algumas monotonias, não tornava nada menos confuso. Tudo se acumula em um final surpreendentemente anti-climático que surgiu do nada.

Os NPC’s geralmente só xingam e ameçam, o que torna o diálogo com eles completamente inútil. Outro detalhe são as caixas de diálogo que, muitas vezes, se sobrepuseram e me impediram de ler direito o que alguém estava falando.

GRÁFICOS

O detalhismo é tanto com os objetos que passa a impressão de que é possível interagir, mas a maioria dos objetos existe apenas como pano de fundo. Com isso dito, ainda era divertido andar pela cidade e ver coisas pelas quais eu havia perdido as primeiras vezes.

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Você pode escolher entre várias telas de filtro que emitem vibrações retrô, mas a maioria parecia bagunçar ainda mais as coisas na tela. É bom ter essa opção, mesmo que a configuração padrão seja minha maneira preferida de jogar. 

Há muitos detalhes elegantes escondidos enquanto você explora a cidade, uma paisagem bela, complexa e refinada.

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Alguns mapas possuem uma visão compacta, não no sentido de ser pequenos mas no sentido de estarem próximos e conectados diretamente. Existe também o recurso de viagem rápida, mas ele pode ser útil ao mesmo tempo que pode atrapalhar: se for usado com muita frequência, ele pode se tornar um péssimo habito que vai acabar dificultando aprender a localização das áreas.

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TRILHA SONORA

Enquanto você navega no ambiente urbano, você é acompanhado pela excelente trilha sonora, que é de longe a minha parte favorita do jogo. As batidas se encaixam perfeitamente no rap dos anos 90 e me fizeram balançar a cabeça durante todo o jogo. 

O som de background combina perfeitamente com a atmosfera urbana, cumprindo muito bem seu papel. Com um estilo hiphop do final dos anos 90, ele acaba tendo uma pegada agradável e me levando a época de Streets of Rage. Não estranhe se você cantarolar e/ou balançar a cabeça enquanto joga.

A trilha sonora é composta por músicas como Fake Gs, Chrome in the pocket e Blood from a stone, entre outras. Além da influência da década de 90 como MF DOOM, Wu-Tang Clan, Jeru The Damaja e Afu-Ra, traze-los ao mundo dos bit’s ficou muito bem-vindo, uma playlist de excelência.

As trilhas ditam o ritmo e a origem do jogo, beats “sujos” para os momentos de tensão, enquanto as trilhas Deep Blood e Goon Squads enchem o ar de mistério. Também há trilhas mais descontraídas e animadas, como New Song of Shangri-La.

Uma pequena palinha:

RESUMO

Orangeblood tem algumas idéias muito boas e traz um conteúdo original, mas a execução pode parecer insuficiente às vezes. No entanto, a trilha sonora e o sistema de batalha são robustos, o que torna o jogo bastante divertido. O jogo é culturalmente perfeito além de ser divertido e humorado, pena que a história confusa e o estofamento excessivo impedem que o jogo alcance todo o seu potencial. 

É o primeiro jogo da desenvolvedora, e tiveram o máximo de capricho  para entregar o melhor aos jogadores. Para aqueles que são fãs do gênero ou temática, é uma compra obrigatória. Meus parabéns à desenvolvedora PLAYISM.


PONTOS POSITIVOS

+Trilha sonora bem produzida

+Sistema de combate sólido e original

+Gráfico bem detalhado

+Imersão cultural

+Jogo divertido e repleto de humor


PONTOS NEGATIVOS

-Excesso de diálogos inúteis

-Repetitivo além do normal, pro gênero

-Diálogos se sobrepõem, dificultando a leitura


NOTA FINAL: 7,5/10

Disponibilizado, via Steam, pela Playism.

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