Dois anos após o lançamento do primoroso Assassin’s Creed Odyssey, a Ubisoft dá continuidade na saga dos assassinos e nas aventuras de Lyla para salvar o mundo, agora na pele dos famosos Vikings, em Assassin’s Creed Valhalla. Sendo um dos jogos mais aguardados nos últimos tempos, tanto por conta da história apresentada até agora, quanto pela temática intrigante e atrativa, Valhalla chega com grandes responsabilidades, expandir a narrativa de forma eficaz e superar um predecessor que já havia aprimorado a série.

Sempre embasado em fatos reais, desta vez o título nos leva para 873 d.C., final do século IX, durante as invasões Vikings à Grã-Bretanha. O jogador assumirá o papel de Eivor, que junto a outros guerreiros da Escandinávia formam o que foi chamado de O Grande Exército Pagão, invadindo os reinos Anglo-Saxões de Wessex, Nortúmbria, Ânglia Oriental e Mércia.

Seguindo o estilo de Odyssey, o jogador  também poderá escolher o gênero do seu personagem, mas dessa vez os dois são Eivor. Acontece que, por algum misterioso motivo, o Animus não consegue definir o sexo do ancestral, gerando assim uma terceira opção, escolher os dois, de forma em que o Animus irá alternar entre os gêneros durante o jogo, conforme os dados melhor indicarem. Ainda que o jogador escolha uma das opções únicas, o jogo permite que alterne entre as versões a hora que quiser.

A trama gira em torno das invasões já citadas, mas abre espaço e se aprofunda na história da Irmandade dos Assassinos contra os Templários, aqui ainda conhecidos como Os Ocultos e Ordem dos Antigos, o que virá a mudar apenas em 1050 por conta das ações de Hassan-i Sabbãh na Terra Santa.

O protagonista é muito bem construído e possuí uma personalidade bem definida. Algo que foi criticado em Odyssey, é o fato de que os personagens principais não tinham suas personalidades destacáveis, se adaptavam à necessidade da trama e não à sua personalidade, mas Eivor ganhou opções de diálogos que se mantém fiéis à construção do personagem.

Eivor também não sofre com o estigma de “O escolhido“, mesmo sendo o personagem principal e tendo visões de Odin que mostram que o personagem possui um destino importante. Ao longo da jornada é mostrado que as coisas não giram ao redor do protagonista, outros personagens são destacados e possuem grandes feitos, como o próprio irmão de criação, Sigurd, que é descrito como o filho pródigo e o grande guerreiro do Clã do Corvo, sendo ele mesmo quem lidera os guerreiros para fora da Noruega.

Ao chegar na Inglaterra o jogador deverá montar seu assentamento, saqueando os monastérios espalhados pelo mapa para adquirir suprimentos e materiais de construção. Estes materiais são utilizados para expandir o assentamento e criar os estabelecimentos necessários para se prosperar no novo mundo, como uma loja para o ferreiro ou um estaleiro para sua embarcação.

É interessante notar como alguns elementos da série retornaram em Valhalla, novamente é possível se esconder entre a multidão ou fingir estar realizando alguma ação inofensiva para despistar os inimigos, a Hidden Blade volta a dar hitkill, ainda que seja necessário desbloquear uma habilidade para isso.

Na parte gráfica a Ubisoft optou novamente pelo seu motor gráfico AnvilNext 2.0, deixando o jogo parecido com seus antecessores, o que não é algo ruim. Na verdade o título está muito bonito, mas sofre por ter uma competição visual muito alta, a Inglaterra Antiga, ainda que com paisagens belas, compete diretamente com as construções do Egito Antigo ou a arquitetura Grega, vistas incríveis e difíceis de se superar. Felizmente o jogo ainda apresenta as lindas nuvens volumétricas de Odyssey e uma competente iluminação pré-calculada com ótima texturas.

Mas é inegável que ainda que competente, a parte gráfica apresenta problemas que não eram comuns no antecessor. Em alguns pontos é possível perceber as texturas pixeladas dos elementos, e a demora para renderizar os personagens é gritante, algumas vezes se passa um diálogo inteiro sem poder identificar o rosto de quem se conversa.

A jogabilidade é de fácil adaptação e segue o modelo utilizado em Origins e Odyssey, sendo ótimo para quem já está acostumado com as novas mecânicas da série. Uma novidade bacana é o retorno da possibilidade de se usar escudos, que estava presente em Origins, mas esteve fora de Odyssey. Além disso, foi adicionada uma barra de fôlego que gasta conforme se defende, desvia ou usa ataques fortes, sendo recuperada com o tempo ou ataques fracos.

As habilidades ativas do personagem, utilizadas para combate e que gastam estamina, agora são adquiridas ao se encontrar o “manual” escondido delas, não mais na árvore de habilidades, esta agora serve para melhorar os atributos de Eivor ou desbloquear as habilidades passivas, que não gastam estamina e servem para ajudar nos assassinatos e exploração.

A mecânica de parkour se mantém basicamente a mesma, porém parece pior que em Odyssey, onde era muito fluída e precisa. Agora o personagem parece mais pesado, chegando a deixar a mecânica travada e incômoda, fora a falta de precisão em muitos momentos, como por exemplo, onde há claramente uma janela acima do personagem mas ele não consegue entrar nela, o jogador ficará rondando esta até conseguir, o que muitas vezes pode atrapalhar na tentativa de ser furtivo.

O título visa evitar outra reclamação do seu predecessor, a quantidade enorme de missões secundárias, onde muitas eram repetitivas e cansativas. Sendo assim, aqui há a missão principal e poucas missões secundárias que são descobertas através da exploração, lendo cartas ou encontrando informações. Algumas são muito interessantes por si só e adicionam riqueza a este mundo, outras se entrelaçam com o enredo principal e fornecem mais detalhes da trama.  Estas são sinalizadas no menu de missões, mas ainda há espalhadas pelo mundo tarefas que podem ser realizadas sem obrigatoriedade, ao se encontrar determinado NPC que está passando por alguma situação, é possível ajudá-lo ou deixar para lá.

A trilha sonora continua bela como já vinha sendo feita na saga, as músicas de combate são empolgantes e a exploração é embalada por belíssimos cantos escandinavos. Infelizmente o jogo apresenta problemas na parte da dublagem, quase sempre sem a emoção necessária, tanto na versão em inglês, quanto em português, fora os cortes de áudio quando um personagem simplesmente pula uma fala ou para totalmente de falar e fica apenas nos observando.

A versão original ainda apresenta um bom trabalho com o sotaque, o que é inexistente em português, mas compreensível. Felizmente os textos são fiéis e muito bem traduzidos da versão original.

Um detalhe da gameplay que é realmente incômodo e era ótimo em Odyssey  é a utilização da ave companheira do protagonista, que serve para dar visão panorâmica do mapa. O pássaro de Alexios (ou Kassandra) era muito útil, destacava todos os inimigos e interativos, auxiliando muito na invasão e exploração, ainda era possível aumentar o raio de percepção do mesmo cada vez que um tanto de sincronizações eram realizadas pelo mapa, além de ser fácil de se controlar o vôo. O corvo de Eivor é totalmente o contrário, possui um péssimo controle e serve apenas para destacar um pedaço do mapa onde se encontra o objetivo, sendo praticamente inútil ao longo do jogo.

Assassin’s Creed Valhalla traz novidades e repara pontos necessários para melhorar a série, também resgatando o antigo espírito desta e mesclando com o novo modelo que está seguindo. Contudo, não supera seu antecessor que aparenta ser muita mais grandioso e apresenta uma jogabilidade superior. Valhalla diminuí o mapa, os equipamentos e a magnitude de sua história, parecendo um passo atrás para a franquia, mas não é, se Odyssey era uma epopeia, aqui temos um romance mais contido, mas que, com alguns ajustes, vai deixar sua própria marca.


PRÓS

+ Resgata mecânicas da série que haviam caído em desuso.

+ Trilha sonora embala e ajuda na imersão.

+ Gráficos se mantém belos e competentes.

+ Construção do personagem principal é muito bem realizada.

+ É possível novamente se sentir mais como um assassino do que um guerreiro apenas.

+ Missões bem construídas e em menor quantidade evitam o cansaço.


CONTRAS

– Bugs áudio e visuais estão constantes.

– O pássaro companheiro é inútil, deixando a sensação tática presente em Odyssey esquecida.

– Parkour é o pior comparado aos dois últimos títulos.

– Renderização dos personagens demorada.


NOTA FINAL: 7.5 / 10

Código fornecido pela Ubisoft e testado no PS4.

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