Vivenciamos a era do sobrenatural nos filmes de terror, crianças possuídas, espíritos vingativos e jogos de tabuleiro amaldiçoados, uma mudança brusca no que representava o terror no século passado. Em meio a tudo que mexe com crenças, é difícil encontrar espaço para os tão temíveis serial killers que nos assombraram antigamente, a psicologia do terror funciona de forma diferente na atualidade, mas uma revitalização pode ser capaz de tirar do freezer aqueles que tanto fizeram sucesso estripando adolescentes desavisados, e aqui entra Scream.

Scream é uma séria produzida pela MTV, inspirada na famosa saga cinematográfica homônima, no Brasil conhecida como “Pânico”, mas não estranhe ao ver no catálogo da Netflix como “Original Netflix”, ela recebe este selo por ser de transmissão exclusiva da plataforma nos territórios fora dos EUA.

 

A série usa vários elementos da saga original, em especial a metalinguagem, estabelecer as regras dessas histórias de assassinato, criar os velhos chavões e acima de tudo conseguir manter o mistério até a grande revelação final. O Ghostface é apresentado de forma mais brutal aqui, deixando de lado aquele assassino cômico que foi construído na série de filmes, agora ele é um sádico perseguidor que usa a internet como ferramenta para atormentar suas vítimas.

É interessante notar como foi feita a união do antigo ao novo, ao mesmo tempo em que temos um psicopata que persegue suas vítimas com uma faca em lugares escuros, ele também sabe aproveitar o que a nova era trouxe, internet esta ai para divulgar os crimes, ninguém foge da sua vigília já que estão todos online sem parar, e suas vítimas sempre podem ser atormentadas sem que ele nem mesmo precise estar no local.

 

O enredo da série se baseia em um serial killer do passado que esta de volta e escolhe um grupo de alunos para perseguir, uma escolha que não tem nada de aleatório. Emma Duval é a personagem principal, tem suas raízes envolvidas com a tragédia que aconteceu na cidade anteriormente e é o tipo de garota meiga e que todos amam, é a mocinha da trama e o real objetivo do assassino. Brooke Maddox é a típica patricinha, líder de torcida que todos desejam, é uma das melhores amigas de Emma e uma das personagens com o maior desenvolvimento ao longo da trama, passando de pessoa vazia a uma das mais agradáveis.

 

Kieran Wilcox é o Bad Boy misterioso que chega na cidade depois de um tempo fora, um dos personagens que mais pensa no que realmente deve ser feito, é o par da personagem principal. Agora, de longe os dois personagens mais interessantes da série são os melhores amigos, Noah Foster e Audrey Jensen, o primeiro sendo o nerd do grupo, viciado em tudo que diz respeito a serial killers, traz referências dos clássicos do gênero e sempre atento a como as tramas dos filmes se desenrolam , já sua amiga é a revoltada agressiva, uma personagem que você nunca sabe se vai odiar ou amar as atitudes, mas se importa muito com seus amigos e conhece Emma desde garotinhas.

 

É perceptível como a série homenageia o passado do horror, personagens com estereótipos se fazem presente, como o atleta burro, a sensual que você espera que vá morrer em uma cena seminua, o nerd sabichão, e as ligações telefônicas macabras. Algo que era muito usado nos filmes de serial killers, como o fato dos personagens sempre estarem sozinhos no momento dos ataques ou irem a noite investigar, se fazem presentes aqui, mas não de uma forma que despreze a inteligência do espectador.

Apesar da ironia na apresentação dos personagens, Scream é uma serie muito bem feita, ela te surpreende onde tem que te surpreender. Você passa cada episódio tentando descobrir quem é o assassino e o por que das suas atitudes. O espectador desconfia de todo mundo e há também aqueles por quem se botaria a mão no fogo. Até o vilão é carismático e te faz torcer por ele.

O formato de seriado também contribui para a qualidade da revitalização, com mais tempo para se desenvolver a trama e os personagens, é possível dar mais sentido ao que está acontecendo, ao contrário de termos apenas um filme de um lunático assassinando adolescentes sem um desenvolvimento profundo.

 

A série cumpriu perfeitamente sua proposta de trazer o serial killer de volta, com uma nova história e um novo design. A Netflixdisponibiliza as duas primeiras temporadas, e uma terceira já foi confirmada, porém contará uma nova história, com um novo elenco. No meio da era sobrenatural, Scream nos mostra uma brecha para o retorno dos assassinos em série, deixando o tom gore mais de lado, apesar de possuir cenas brutais, e focando em um suspense psicológico que irá deixar o espectador paranoico.

 


PRÓS

+ TRAMA BEM TRABALHADA, COM PLOTS BEM ENCAIXADOS.
+ GHOSTFACE TEM MOTIVAÇÕES CRÍVEIS E PROFUNDAS.
+ BOA DOSAGEM ENTRE A HISTÓRIA E OS ASSASSINATOS, QUAIS NUNCA SÃO À TOA.
+ ÓTIMO DESENVOLVIMENTO DOS PERSONAGENS, CADA UM COM SUA PROFUNDIDADE E PROBLEMAS.
+ CRIA A TENSÃO E O MISTÉRIO DE FORMA NATURAL E VICIANTE.

CONTRAS

– ALGUMAS ATITUDES SÃO IRRACIONAIS EM ALGUNS MOMENTOS.
– UMA PONTA SOLTA NO FIM DA SEGUNDA TEMPORADA QUE NOS DEIXA INDAGADOS.
– OS PERSONAGENS NÃO CATIVAM NO PRIMEIRO EPISÓDIO, PORÉM MELHORAM COM O DESENROLAR DA HISTÓRIA.

NOTA FINAL: 8 / 10

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